[1] Na estimativa deste número de falantes, consideram-se cerca de 7.000 residentes no concelho (que segundo o censo de 1991 tinha 8.449 pessoas) e de 5.000 emigrantes conhecedores da língua. Estas informações foram dadas pelo Dr. Amadeu Ferreira, a quem agradeço.
[2] Proposta pelo deputado Dr. Júlio Meirinhos e aprovada por unanimidade pelo parlamento português - Assembleia da República - em 17 de Setembro de 1998.
[3] Já tratado em M. Barros Ferreira e Ana Maria Martins (1987), M. Barros Ferreira (1995) e (1999), Mª Luísa Segura da Cruz et alii (1994), Clarinda de Azevedo Maia (1996). Por motivos técnicos, evito deliberadamente utilizar transcrições fonéticas. Para a eventualidade de algum leitor desconhecer as normas de escrita portuguesas, informo que lh e nh correspondem a ll e ñ espanhóis e que o som de j, ge, gi corresponde ao j francês de jour.
[4] Na generalidade do mirandês, -on final pronuncia-se [õw]. No dialecto de Sendim existe o ditongo nasal [ãw]: coraçon pronuncia-se coração como no português normativo. O plural é coraçones como no resto do mirandês.
[5] No dialecto de Sendim, os ditongos crescentes ie e uo reduzem-se a i e u, respectivamente.Noutras localidades reduzem-se a e e o, conservando-se porém na entoação enfática.
[6] No dialecto falado em Sendim o l- inicial mantem-se.
[7] De notar que as semelhanças e diferenças que tenho vindo a apontar têm como principal referência o português do norte e que nessa zona do país e- e o- iniciais se lêem i- e u- .
[8] Na mesma ordem de ideias, o verbo encher, que no português do norte se pronuncia incher, torna-se, em mirandês, anchir; no entanto, conserva in- inicial nos tempos em que o acento recai sobre essa sílaba: eu incho, tu inches... Esta regra atinge os neologismos actuais, por ex.. internet > anternete
[9] A forma bós, que desapareceu do português normativo corrente, utilizando-se apenas como forma de tratamento para Deus, santos, ou fórmulas de alta cerimónia, conserva-se ainda em Trás-os-Montes e Minho como segunda pessoa do plural, na fala corrente.
[10] O pronome le mirandês corresponde a lhe português. Esta forma se, de utilização semelhante à do espanhol, é muito frequente na variedade sendinesa.
[11] No sentido de “aí”. Existem igualmente as locuções por ende e dende. Não incluí nesta lista items que se diferenciam apenas por seguirem regras fonológicas diferentes: eiqui, eilhi, yá.
[12] O assunto e estes exemplos são referidos por Ana Maria Cano (1995) p. 26.
[13] Joaquín Fernández García (1994), pp. 93, 96, 97, 99.
[14] García Arias (1987), p. 45.
[15] Ana Maria Cano (1987), p.14
[16] Expressões recolhidas por Zamora Vicente, 1953, p. 127.
[17] Estudos de Philologia Mirandesa, I, p. 150, II, pp. 47,48.
[18] Alves, 1938.
[19] Avelanoso < avelana , port. avelã < lat. AVELLANA.
[20] Em port., benta <lat. BENEDICTA
[21] Em port. chã < lat. PLANA
[22] < quintana (em port. quintã), + suf. espanhol –ilha.
[23] < provavelmente < lat. VENA, port. veia, veio (de água ou metalífera)
[24] Em port. lagoa < lat. LACUNA
[25] < endrina < (PRUNA) ATRINA. A palavra endrina não é utilizada no português corrente, porém andrina existe em Trás os Montes com o significado de ‘ameixa branca’. Cf. Vasconcellos (1890-92).
[26] < RANA, em port. rã.
[27] < *SENARA, em port. seara.
[28] < TINACULA (> *TENACULA), port. talha.
[29] < provavelmente, < got. *gabilan, -anis. Cf. DCECH, sob gavilán. Em port., gavião.
[30] < bedul, bedulo < lat. *BETULE, variante provável de BETULLA, segundo o DCECH. Cf. Forma asturo-leonesa bedul, port. vidoeiro, bidro.
[31] A estes dados, acrescentem-se os fornecidos pelo Dr. Carlos Ferreira: Laranjeiros de Vidoleiros e Lameiro de Bedulos, em Quintanilha, conc. Bragança. Todas as informações de que não indico expressamente a fonte provêm das Memórias Histórico-Arqueológicas do distrito de Bragança, de Alves, vol. X.
[32] < CANDELA, em port. candeia.
[33] < PELAGU-, em port. pego.
[34] < PILU- (pode corresponder a port. ‘pio’ ou a ‘pilão’)
[35] < FILICTU-, em port. feto.
[36] Sobre a pertença deste povoado a Portugal no século XII e de como um nobre de Zamora, para se apoderar dele, derrubou a Pedra dos Sandeus que marcava a fronteira, consultar os documentos do sec. XIII publicadas por Alves, Memórias… vol. IV, pp. 7-17.
[37] O que não exclui a hipótese de se encontrarem mais a ocidente. Para já, Mirandela constituiu o limite ocidental da procura efectuada e aí, os testemunhos encontrados foram raros.
[38] Topónimos compilados no concelho de Miranda pelo Dr. Carlos Ferreira.
[39] Informações fornecidas pelo Dr. Carlos Ferreira.
[40] Alves, 1938. Anteriormente, já J.L. de Vasconcelos mencionara o facto (1890-92).
[41] A quem agradeço penhoradamente.
[42] Em Ernout et Meillet é mencionada a existência, no baixo latim, de HORREUS, cujo acusativo plural é HORREOS.
[43] Informação do Dr. Amadeu Ferreira, a quem agradeço. Não se trata de depósitos de vinho, mas sim de outros produtos agrícolas. De notar que no nordeste transmontano, nomeadamente em Aveleda, Guadramil, Quintanilha, Malhadas e Póvoa existe também o topónimo Silo, “voz peculiar del castellano” , de origem pré-romana (sg. DCECH), que designava uma ‘cova para guardar grão’ (Cf. Viterbo, Elucidário, s.v. cova. Fonte: Alves, vol. X, p.252.
[44] Dados compilados por Joaquim da Silveira (1935).
[45] Informação fornecida pelo Dr. Carlos Ferreira.
[46] Alves, 1981, tomo IV, p. 417-422.
[47] Alves, 1981, tomo IV, p. 434: “quod Urrus era foritis locus et stabat ermus…”
[48] Alves, 1981, tomo IV, p. 277, 278.
[49] Alves, 1981, tomo IV, p. 283.
[50] Alves, 1981, tomo IV, p. 279.
[51] Alves, 1981, tomo IV, p. 8.
[52] Informação fornecida pelo Dr. Amadeu Ferreira.
[53] Urrieta pronuncia-se normalmente em mirandêds ourrieta, de acordo com a regra apontada em (17).
[54] Em Ribeira da Fraga, Santo André e Sonim surge a forma bubela.
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