O USO DA LÍNGUA MIRANDESA

 

1. O uso do mirandês no dia a dia

Os dados mais actualizados de que dispomos sobre o uso do mirandês resultam de um inquérito realizado em Abril de 2001 sob a orientação da Dr.ª Maria do Céu Carvalho de Sousa, professora de Geografia da Escola Secundária de Miranda do Douro. Esse inquérito abrangeu 2% da população residente nas sedes de freguesia do concelho de Miranda do Douro, aí incluídas a sede do concelho e a freguesia de Atenor, onde não se fala mirandês. Chama-se a atenção para o facto de o mirandês também se falar nas freguesias de Vilar Seco e de Angueira, do concelho de Vimioso.

Do referido inquérito podem retirar-se algumas conclusões quanto uso da língua:

- 87, 6% dos inquiridos afirmou compreender a língua mirandesa, mas essa percentagem atinge os 100% na maioria das freguesias rurais;

- 64, 6% dos inquiridos respondeu que sabe falar mirandês, embora essa percentagem seja muito mais elevada nas aldeias rurais;

- os inquiridos que falam mirandês fazem-no no dia a dia ou quando isso lhes é solicitado (63%, no conjunto). Mas enquanto as freguesias mais urbanas utilizam a língua sobretudo quando é solicitado, já as freguesias mais rurais usam o mirandês no dia a dia;

- a maioria dos inquiridos referiu ter aprendido a língua com os país ou avós (53.9%);

- a maioria dos inquiridos não fala em mirandês com os filhos, sendo as freguesias do norte do concelho aquelas em que os pais mais falam em mirandês com os filhos; o grupo etário 45-64 anos é aquele que menos fala em mirandês com os filhos;

- a generalidade dos inquiridos (76.3 %) acha importante as crianças aprenderem mirandês;

- 75.3% dos inquiridos tem uma referência positiva da língua e 24.7% uma referência negativa. A referência positiva à língua varia com a idade (0-14 anos - 48%; 15- 44 anos- 77%; 45 - 64 anos- 82%; 65 e mais anos- 84%) e com o grau de instrução (não sabe ler - 87.5%; básico - 66.3%; secundário - 75%; superior - 100%; outro - 75.3%).

 

2. Uso do mirandês falado pelas institutições do concelho.

O uso do mirandês nas várias institutições do concelho de Miranda data dos anos 80 do século XX.. Mas foi sempre muito esporádico, muitas vezes com um certo carácter folclórico, por ocasião de festas e para ministro ou visitante ver como era "engraçado".

Apenas a partir do ano 1999 a língua mirandesa passou a ser usada com regularidade por alguns (ainda poucos) deputados à assembleia municipal de Miranda do Douro, nas intervenções realizadas nesse órgão autárquico.

Também noutras intervenções públicas, como conferências, apresentação de festas, debates promovidos pelas associações culturais, etc., o uso da língua falada está a tornar-se cada vez mais natural. O mesmo acontece nas escolas, por impulso dos próprios professores de mirandês.

Em qualquer caso, e apesar dos progressos feitos, ainda se está longe de um uso regular da língua mirandesa pelas institutições de Miranda do Douro.

O início das emissões da rádio local MIRANDUM-FM, que emite na frequência 100.1 será porventura mais um incentido ao uso da língua falada.

3. O uso do mirandês escrito

Para além das obras que têm sido publicadas em línguas mirandesa, são os seguintes os usos regulares do mirandês escrito:

- começam a aparecer convites e cartazes da autarquia, de comissões de festas e de associações escritos em mirandês;

- aumenta o número de aldeias em que o nome das ruas é bilingue;

- os jornais dos agrupamentos de escolas do concelho (Escola Secundária e EB2 de Miranda do Douro e EB23 de Sendim) têm vindo a aumentar progressivamente o número de páginas escritas em mirandês;

- o jornal http://www.diariodetrasosmontes.com/ insere com regularidade notícias e crónicas escritas em mirandês;

- o sítio de Picote na internet, http://www.bragancanet.pt/picote/, insere traduções de textos em língua mirandesa;

- o sítio de Sendim na internet, http://www.sendim.net/, apresenta alguns textos em mirandês.

Amadeu Ferreira, 11.11.2001

 

 

 



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